Khadafi vencido pelos rebeldes

Na Líbia, os rebeldes comemoram a morte de Muammar Khadafi, que, perto do meio-dia desta quinta-feira no Brasil, ainda não havai sido confirmada pela Otan. Tipo sanguinário, aos 27 anos de idade de idade, já como coronel, ele fez seu treinamento na Grã-Bretanha, antes de assumir o governo líbio, em 1969, cargo em que usou o petróleo para se afirmar diante do mundo.

Era um vaidoso em todas as dimensões. No figurino, um fashionista. Quando jovem, os amigos o chamavam de “o bonitão”. Ainda no final da década de 1970, sua beleza viril e morena provocava comentários entre mulheres jornalistas nas redações dos jornais. A passagem do tempo fez nele estragos como em qualquer outra pessoa, mas ao contrário de Dorian Gray, não conseguiu repassá-los para um retrato guardado a sete chaves. Então contratou a competência de um médico brasileiro e este, desrespeitando o sigilo profissional, não se vexou em revelar o fato assim que a rebelião dos líbios entrou no noticiário. O fim não teve lençóis de sede. Foi sujo: os rebeldes capturaram Khadafi em Sirte, cidade natal, quando ele tentava fugir por um canal de esgoto.

O assassinato do ditador confirma aquele ditado segundo o qual “um dia é da caça, outro é do caçador”. E Muammar Khadafi foi muito caçador. Mas até pouco tempo atrás, antes de sua permanência no poder ser colocada em xeque na própria Líbia, autoridades de países ocidentais como Blair (Grã-Bretanha), Sarkozy (França) e Obama (Estados Unidos), sempre prontos a entrar em ação justificando-a como defesa dos direitos humanos, não lhe recusavam um aperto de mão. E nenhum deles – nem Lula (do Brasil) e Chavez (da Venezuela) – ignorava sua extensa ficha criminal contra a humanidade. Urdiu, por exemplo, o assassinato do Prêmio Nobel da Paz de  1978, Anuar al-Sadat, quando assistia a um desfile militar na tribuna de honra. Os autores dos disparos foram radicais muçulmanos que, misturados aos soldados, traduziram dessa forma o repúdio de grande parte da nação ao acordo que o então presidente do Egito havia assinado com Israel e Estados Unidos, em busca da paz no Oriente Médio (foto de Nakram al-Akhbar).

O que não se espera seja confirmado agora é que aconteça na Líbia o que houve no Irã quando o xá Reza Pahlevi foi deposto e substituído pelo ultra conservador Khomeini e seus seguidores. Portanto, é preciso cautela nos comentários e nas expectativas.O fato de Khadafi ter sido morto não garante que o povo líbio terá democracia, automaticamente. Isso depende de um processo, que está nas mãos e nas cabeças dos líderes que agora assumem o governo do país e da inteligência com que vão conduzir sua postura diante dos leais ao ditador. A pergunta é: eles querem democracia ou querem simplesmente o poder, colocando um ditador no lugar de outro?  A resposta virá com o tempo. De qualquer maneira, o desaparecimento de Khadafi mostra que “um dia é da caça e o outro é do caçador”. Mostra também que, como dizia minha mãe Mathilda, “Es ist noch nicht alle Tage Abend”. Traduzindo: “Os dias ainda não anoiteceram todos”, isto é, ainda há muita coisa por acontecer. A vida é roqueira, e as pedras rolam.

Um aspecto interessante é que Khadafi, apesar de sua truculência, se deixou convencer a abrir mão do armamento nuclear, ao contrário do Irã, por exemplo. Então uma segunda pergunta é se esta decisão o deixou mais vulnerável diante da oposição. Afora isso, estudiosos já refletem sobre como o fim que ele teve vai ser encarado pelos demais governos que apostam na energia nuclear, podendo reforçar a beligerância no mundo. Finalmente, a quem, além do povo líbio oprimido por Khadafi, convém a morte do ditador? Ele realmente morto em uma troca de tiros ou foi executado por que poderia fazer revelações sobre os até pouco tempo atrás aliados ocidentais se fosse levdo a julgamento? Quem sabe…

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