Quem vê este menino, chamado Luan, não imagina o grau de sofrimento que ele teve que aguentar. Aos quatro anos de idade, era uma criança saudável e arteira, que corria pela casa, aprendendo a viver. Mas no caminho dele havia uma fera em pele humana. Um homem muito mau, que interrompeu o processo de aprendizado do seu enteado.

O padrasto espancou Luan até levá-lo ao coma. Tudo o que o menino havia aprendido até então foi varrido de seu mapa cerebral. Voltou a usar fraldas, perdeu a fala e os movimentos. Mas, se estava escrito seu encontro com um lobo mau, também estava escrito que receberia ajuda. E ele a encontrou na AACD – Associação de Assistência à Criança Deficiente – de Porto Alegre, que está dando atendimento a um universo de 770 pacientes – 96% gratuito. A unidade, a segunda do País, foi construída com o dinheiro arrecadado na campanha chamada Teleton, que o SBT coloca anualmente no ar (conta com a contribuição da Band, Globo, RedeTV e Gazeta).

Na ACD de Porto Alegre, Luan está recuperando mais do que a capacidade de caminhar e falar. Está recuperando também a confiança no ser humano. Agora sorri em vez de chorar. E até se ensaia como um possível futuro cantor diante do microfone do SBT, que, na edição de 2011, realiza a campanha em parceria com a TV Cultura, de São Paulo, pedindo doações para serem usadas na melhoria dos atendimentos que a entidade já presta em várias partes do País e na construção de novas unidades – há cerca de 60 mil seres humanos na fila de espera.

A maior parte não teve escolha. É vítima de uma desinteligência da natureza durante a gestação. Isso é trágico. Mas é igualmente terrível quando, como no caso de Luan, a deficiência resulta da brutalidade de um adulto de quem a criança espera proteção. E é especialmente triste quando a mente voa e está aprisionada em um corpo que nem mesmo consegue andar. Era o caso de Felipe, 10 anos, que nasceu sem braços e sem pernas, com “tudo contra”, como elepróprio diz. Hoje o menino caminha, fazendo uso de pernas/próteses recebidas na AACD.

Um dos testemunhos da seriedade com que a AACD trabalha para melhorar a vida dos que sofrem de alguma deficiência física é João Carlos Martins, pianista internacionalmente reconhecido. Mesmo que ele próprio seja um exemplo de superação, pois continua dedicado à música – tocando e regendo -, depois de perder os movimentos das mãos. O maestro participou do Teleton ao lado de Enrico, um jovem que, embora não tenha todos os dedos das mãos, quis ser pianista e realizou o sonho. Segundo Martins, “o importante é que Enrico encontrou na música o seu caminho, porém mais importante é o exemplo de superação que está dando” com a ajuda da ACD que, na opinião dele, “é uma prova da existência de Deus”.  Em 2010, a entidade atendeu mais de um milhão de deficientes físicos.

Não tenho o suficiente, mas se tivesse doaria tranquilamente os R$ 24 milhões, que são a meta do Teleton 2011. Mas acredito que não sou a única pessoa que faria isso. Penso, por exemplo, nos grandes amigos dos cães. Alguns não hesitam em fazer sacrifícios para que esse melhores amigos do homem tenham carinho e conforto. Deles espero que se comovam com quem precisa do atendimento da AACD. Basta discar: 0500 – 12345-05 (R$ 5,00), 0500 – 12345 – 10 (R$ 10,00) e 0800 – 774 -2011 (R$ 30,00 ou mais).  Espero, espero mesmo, porque acredito que o amor pelos animais não pode ser dissociado do amor pelo ser humano.

Essa é uma questão de sensibilidade. Não dá para ficar indiferente diante de uma criança que chora de dor desde que nasceu, porque seus ossinhos quebram até quando é tocada com amor, ou quando precisa que a mãe troque suas fraldas. Não há justificativa para não ajudar um ser humano a se libertar deste sofrimento. Não há como não se comover. A menos que se tenha parentesco com as paredes.

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