Com a internet permitindo a comunicação em tempo real, o editor do jornal impresso deixa a redação, no final do dia, sabendo que tudo aquilo em que colocou seu empenho para informar o leitor já está caducando. Esta consequência do avanço tecnológico tem provocado debates. Há quem acredita no fim do jornalismo que usa o papel para divulgar os fatos, repetindo prognósticos feitos em relação ao cinema com o advento da televisão.

Na rede hoteleira há quem acredita que pode substituir o ser humano pelo robô e pelo computador no atendimento aos hóspedes. Esse é o caso do Yotel New York, de Manhattan, onde um jornalista enviado pelo jornal Welt, da Alemanha,constatou que a vida poderá ser mais estressante do que é hoje quando tudo depender da informática. Não há recepção, apenas uma espécie de terminal com uma fila de touchscreens para que a própria pessoa faça o seu registro de entrada.

Na chegada, a saudação: Welcome. É animadora. Mas logo depois o hóspede do Yotel New York enfrenta a primeira dificuldade, quando o computador recusa, pela terceira vez, a aprovação do seu cartão de crédito. A sensação de boas-vindas já não é a mesma. Por  favor, apresente-se no quarto andar, aconselha a máquina. Lá podem ver o que está acontecendo, acrescenta. Atrás do vidro, um Yobot aguarda pelo momento de colocar suas mãos metálicas nas malas, mas a essa altura dos acontecimentos a maioria dos hóspedes já está tão intimidada que prefere se encarregar, ele próprio, dessa tarefa.

No quarto andar funciona a Mission Control, que não pode ser chamada de recepção, porque seria muito out. Brega, em português. E, naturalmente, o hóspede vai ser mais um em longa fila, embora o emprego de computadores tenha sido uma decisão para evitar, justamente, esse tipo de transtorno. Cansativo. Sim. E mais tarde ele ouve, sem o menor constrangimento em quem fala, que está tudo em ordem com seu cartão de crédito, mas terá que aguardar mais um pouco. Por quê? Simples: o quarto ainda não está devidamente preparado para recebê-lo.

Os quartos do Yotel foram desenvolvidos tendo a primeira classe das aeronaves como modelo. Poucos móveis, mas conforto. A cama pode ser transformada em sofá para liberar espaço. Praticamente tudo é branco, com elementos em lilás. O estilo é clean, a ponto de passar uma impressão de frio.

Acima de tudo, o hóspede não deveria ter qualquer tipo de problema com o que tem diante dos olhos. Mas nestes quartos não há escapatória: sobre a cama, ao lado da janela, tudo é espelhado – é o velho truque para aumentar espaços muito pequenos. No Yotel, aberto neste verão do Hemisfério Norte, as assim chamadas cabines têm cerca de 15 metros quadrados. Nas maiores há uma banheira de hidromassagem.

Claro, o Yotel também oferece suítes com lareira, cozinha e camas redondas com vista panorâmica para o rio Hudson. Mas são exceções, porque o alvo do interesse do estabelecimento é o turista para o qual as diárias dos hotéis mais centrais de Manhattan são muito caras. Os quatros custam a partir de 199 dólares, mais ou menos a metade do preço cobrado nas proximidades da Time-Square.

Para quem gosta de ambientes futuristas e precisa de uma boa noite de sono, o Yotel New York é prato cheio. Mas deve ficar longe dele o viajante que faz questão de se misturar ao redemoinho humano da alta temporada na cidade.

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