Hoje acordei com saudade de você.  Epa!  Esse é o verso de uma canção que, se não me engano, fez sucesso na voz de Ronnie Von. Além disso, há um bocado de tempo não tem um você fazendo falta na minha vida. E sigo acordando. Muito bem. Hoje, uma vez. Depois, mais uma vez. Na primeira, baixei a mão no despertador. Cala-te, por favor! A luz do sol ainda não me vinha pela fresta da persiana. Era cedo demais para encarar os humores e rumores do dia.

O engraçado é que nunca antes, como diria Lula, precisei de relógio para acordar. Na verdade, nem tenho necessidade dele agora, contanto que, antes de adormecer, faça uso de uma estratégia que me acompanha há muitos anos: em solilóquio, repasso os compromissos do dia seguinte, marcando a hora em que devo estar a postos. Nunca falhou. E continua funcionando.

Então, por que agora, noite após noite, cumpro o ritual de preparar o relógio para que me desperte? Não sei. E não acredito que uma resposta a essa pergunta tenha o poder de alterar meu ritmo de vida, por isso vou adiando o tal do olhar para dentro que traria o motivo à tona. Traria mesmo? Vou levando. Vou pensando que estender o braço logo de manhã cedo para silenciar a histeria do despertador – na verdade, gostaria de fazer isso com a Teresa Cristina quando cospe fogo pelas ventas em Fina Estampa – é ponto de partida para o combate que me proponho todos os dias contra o sedentarismo.

Preparo a entrada no ringue. Primeiro, cumprindo a recomendação ouvida de um médico, ponho as pernas para fora da cama. Só depois levanto o tórax e o que está acima dele.  Segundo o especialista nos assuntos do esqueleto, esta sequência é essencial à saúde da coluna vertebral e termina quando me coloco de pé para um bom alongamento.  Funciona?  Acredito que sim, porque a saúde é um bem, uma dádiva. Nem todo ouro do mundo a substitui quando falta. Por isso, não estaria em paz com minha consciência se não cuidasse dela, se não a tratasse muito carinhosamente.

Mas essa mesma consciência não se contenta com pouco. Quer mais. Exige respeito também pelo que está em volta. Mais uma vez em nome da saúde, mas desta vez a do meio ambiente e, por extensão, a da fauna, a da flora e a dos humanos que povoam o planeta. Isso tem a ver com as despensas e as geladeiras que há em número cada vez maior no planeta. Hoje, quando acordei, a minha estava praticamente desprovida de alimentos. Então me botei a caminho do supermercado. Com um detalhe importante: levando uma sacola de pano – essa da foto – para acomodar os produtos que iria comprar.  

É bonitinha a sacola. Não é? Verde. Toda dobrável, parece muito pequena quando vazia. Engano. Está à venda no Zaffari por R$ 1,99. Recomendo, embora ninguém tenha pedido que faça propaganda. Mas há outras no mercado, algumas com grife. Usá-las é uma forma bem elegante de transportar os produtos, mas é, principalmente, manifestação de respeito pelo meio ambiente e contribuição que cada um de nós pode dar para adiar a catástrofe que os ambientalistas vêm anunciando já faz alguns anos. O problema é que os alertas não vencem a indiferença do povo. Desse povo que abre um bocão para acusar as autoridades de omissão sempre que ocorre uma tragédia, esquecendo que ele próprio poderia ter colaborado para evitá-la, mas preferiu se omitir. Esse povo, que sai dos supermercados levando suas compras em sacos de plástico, é deplorável. Esse povo não caberia no verso daquela canção.

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