Fukushima, problema maior que o Japão

Uma explosão nuclear em Fukushima? O medo existe e, em Munique, o professor Edmund Lengfelder, especialista no assunto, afirma que o mundo precisa ficar atento, porque ninguém sabe quanto urânio enriquecido, e de que forma, está concentrado na usina japonesa danificada pelo terremoto ocorrido em março deste ano. Pelos elementos de que dispõe para fazer uma avaliação dessa possibilidade, ele acredita que seria uma espécie de bomba atômica em escala mínima. Mas…

Oito meses depois da catástrofe, foram encontrados radioisótopos 133 e 135 dos gases Xenon em Fukushima. Como os isótopos são produtos da divisão do núcleo de um átomo, tem duração de nove horas e só podem ser detectados até cinco dias depois de liberados, o professor descarta a possibilidade de serem do tempo em que o terremoto ocorreu. Portanto, a descoberta indica a ocorrência de  cisão nuclear nos reatores da usina, o que cientistas explicam dessa maneira: quando o bombardeio com neutrons rompe o núcleo de um átomo pesado de urânio, plutônio ou tório, esse núcleo libera, ao mesmo tempo, uma grande quantidade de energia e de neutrons, provocando uma reação em cadeia. Em decorrência disso, o cientista alemão acredita que tudo pode acontecer em Fukushima, mesmo que se diga que é improvável.

Há 25 anos, Lengfelder criou a Associação para Proteção contra Radiação Atômica e o Instituto de Radiação Atômica em Munique, depois do acidente em Chernobyl, então região soviética. Desde então acompanha pessoas em quem a radição liberada nesse vazamento produziu câncer, embora a então União Soviética tenha tomado providências para isolar o mais rapidamente possível a zona de perigo. Na avaliação do professor, o governo do Japão foi leviano e mentiu ao povo sobre os riscos que corria logo nas semanas seguintes à tragédia. Ele alerta que a área de isolamento determinada pelas autoridades, de 50 quilômetros em torno da usina nuclear, deveria ser aumentada para, no mínimo,100 quilêmetros no sentido noroeste.

Se tivesse poder para tanto, Lengfelder ordenaria o desligamento imediato de  todos os reatores nucleares da usina de Fukushima. Mas, segundo ele, na balança com que o governo do Japão mede as consequências de suas decisões, a qualidade de vida da população tem um peso menor. Portanto, o povo terá que decidir se quer ou não continuar vivendo sob essa ameaça. Aliás, o resto do mundo deveria se manifestar, porque, se houver um acidente nuclear em Fukushima e o vento soprar do leste, a zona de isolamento terá que incluir Munique, acredita o professor, porque a radiação chegará até lá. Em outras palavras, o problema é bem maior que o Japão e coloca toda a população do planeta em risco.

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