Em nome da segurança nos voos

Para garantir a segurança nas viagens aéreas, o scanner corporal é visto como excelente recurso. Mas é bom saber. Seu uso é polêmico, porque ele desnuda os passageiros (foto DPA). Também é completamente histérico, porque apita para tudo: pregas na roupa, botas, qualquer movimento que a pessoa faça. Causa um auê.  Este é um dois motivos pelos quais seu uso não foi aprovado nos aeroportos da Alemanha, onde foi submetido a testes durante dez meses, com autorização especial da União Europeia.

Na Grâ-Bretanha e nos Estados Unidos, o equipamento funciona a todo vapor para combater o terrorismo. No Brasil, a Polícia Federal  já faz uso dele no Galeão, Cumbica, Recife e Manaus, quando suspeita de um passageiro e apalpá-lo não seria revelador. Ainda neste ano, deverá ser instalado em mais seis aeroportos para impedir o embarque de quem esconde drogas no corpo – no estômago, por exemplo – e o contrabando de animais, principalmente.  Essa previsão foi apresentada em junho, pelo chefe de Operações de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, Márcio Nunes.

O recurso é altamente invasivo. Quando pega quem realmente tem culpa no cartório, tudo bem. E quando a suspeita não se confirma? Imagino que a pessoa invadida ouça, pelo menos, um pedido de desculpas. Mas quando alguém se torna suspeito? Essa é a questão. É o olhar? O jeito de caminhar? A frequência de viagens ao mesmo lugar? Deve ser uma soma de indícios, que somente gente treinada e com talento para a psicologia consegue ver.

O que me pergunto agora é se o scanner corporal vai funcionar também para passageiros em conexão.  Minha curiosidade se baseia no que ocorreu durantea minha mais recente ida a Manaus, onde meu filho trabalha. Na ida, desembarquei no Galeão, já estranhando um fato:  o serviço em terra pediu que os passageiros em conexão ficassem em grupo e assim foram conduzidos até os portões de embarque.  Na volta, em Guarulhos, um cuidado a mais: os passageiros em conexão foram colocados em fila para confirmar sua identificação em lista e somente então foram liberados para seguir em frente.

Abro parêntesis:  antes de chegar ao portão de embarque tive que repetir o que já havia feito em  Manaus. Portanto, coloquei na bandeja  meu relógio, a carteira de identidade com a passagem, uma bolsa de mão e outra menor , dessas que se atravessa no peito – com o celular que comprei em Manaus para subsitituir aquele que me roubaram na ida, no Galeão.  Não bastou: me pediram que tirasse também o cinto de couro e a jaqueta de nylon.

Achei estranho. Em Brasília, onde fiz conexão em janeiro e abril, nada disso aconteceu.  Ali desembarquei e tomei o rumo do local onde deveria embarcar novamente. Simples assim. Ninguém me pediu que ficasse em grupo ou em fila. Aliás, isso nunca ocorreu nem mesmo nas minhas idas e vindas da Europa com conexão em Guarulhos. Então mudou. E certamente há uma razão para isso. Mas chateia quem já está cansado e se pergunta o motivo da superposição de verificações na conexão.  Primeiro a lista e depois a bandeja?

Mas já enfrentei situações mais, digamos assim, delicadas. Em novembro de 2002, quando desembarquei em Munique, uma agente de segurança veio direto na minha direção e tive que acompanhá-la até uma sala ao lado.  Sie kommt aus Lateinamerika, ouvi. Dois dias antes de embarcar eu havia quebrado o braço direito e estava com ele em uma tipóia. Foi isso que me deixou com cara de pessoa disposta a fazer um ataque terrorista? Não sei. Lembro de que a moça, toda uniformizada, me solicitou que abrisse a minha mala. Respondi que teria dificuldade para atender ao seu pedido, porque estava com dor. Ela me encarou por alguns momentos, bem séria. E me liberou: Bitte, Sie können gehen (Por favor, a senhora pode ir).

Na volta ao Brasil, me seguraram de novo. Agora porque estava com um cartão de banco em um bolso preso à cintura. Aí ouvi: Jacke aus, bitte (alemão diz bitte – por favor – até quando dá uma ordem); Bitte, Arme hoch (braços para cima).  E em 2008, voltando de lá mais uma vez – tinha ido em férias –  foi engraçado. Primeiro, na verificação do meu passaporte, estranharam meu nome. No Brasil? Expliquei que meu pai era de Ulm, aliás, uma cidade muito bonita. Alguns passos adiante, um grandalhão simpático me disse que algo de estranho havia sido detectado na minha bagagem de mão. Opa!!! Quando ia abrir o fecho principal, ele me corrigiu: Nicht hier. Dort – Aqui não. Lá . O era uma bolsinha lateral, onde tinha colocado um tubo de pasta dental. Pura distração.

Voltando ao scanner corporal,  seu uso nos aeropostos não foi aprovado pelos alemães. Mas isso não quer dizer que esteja definitivamente descartado, porque, segundo relatório encaminhado ao governo e à União Europeia, o equipamento realmente garante mais  segurança aos voos e, em consequência,  mais tranquilidade aos passageiros. Defensor do recurso,  o diretor de Polícia Federal alemã Rainer Weinzierl afirma, segundo matéria publicada no jornal Welt, que a pesquisa vai continuar, porque o objetivo é chegar a um controle em que não haja a necessidade de tocar a pessoa.

 

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