Para Max, com carinho

Da majestade de um rei ele só tem o nome. É Maximiliano. Mas atende pelo apelido, Max. O dia inteiro ouve “corre Max, vai dormir Max, para com isso Max, vem cá Max”. E obedece. Em vez de coroa, ostenta uma barbicha que lhe dá um ar solene, e seu trono viaja pela casa toda, sempre acompanhando humanos afetos.

Max tem história. Nasceu em Porto Alegre, mas foi amor à primeira olhada de Amanda e Ariane em Capão da Canoa, onde era um entre muitos semelhantes que estavam à venda. Mas foi Ariane quem mais se empenhou para que ele fizesse parte da família, reclamando que sentia falta de “um quadradinho na minha vida”. No que dependia da mãe, tudo bem. O pai ficou reticente, mas levou Max para casa nos braços e lhe fez companhia durante a noite quando viu que ele estranhava o ambiente. A partir daí, são amigos. O registro de nascimento diz que ele veio ao mundo no dia 7 de novembro de 2005. Signo? Ah, também tem. É escorpião. Teria esse charme todo se fosse outro?

Confesso que também resisti à chegada de Max, um Schnauzer. É que, na minha cabeça, a ideia de amor não combina com repressão e, por maior que seja nosso apego a um bicho, contrariar a natureza dele é consequência inevitável quando o obrigamos a viver em um apartamento. Para mim, cachorro combina com pátio, com jardim, com espaço para correr, rolar na grama, latir para passarinho e perseguir borboletas. Até para enfrentar uma cobra, como fez o Melac – nome estranho, não é? – quando salvou meu pai do bote de uma jararaca escondida na vegetação.

Mas a minha resistência ao Max passou logo. Ele me conquistou com seu ar cheio de graça, fazendo de cada chegada uma festa. A porta se abria e lá vinha, aos saltos, pedindo atenção para seu relato latido de tudo o que tinha lhe acontecido nos últimos dias. Era veemente. Depois deitava aos meus pés, cochilando. Mas volta e meia se colocava nas patas traseiras e pedia um carinho na cabeça, puxando minha mão. Agora já está na idade do lobo – cada ano de vida é contado como sete – e noto que é menos efusivo de uns tempos para cá. Acho que cansou de mim.

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3 comentários em “Para Max, com carinho

    1. Rosela,

      O Max foi adotado por Amanda e Ariane. Eu gosto muito de cachorro, mas não de restringi-los ao espaço de um apartamento. Sempre achei que isso contraria a natureza do animal e me convenci disso quando, um dia, ele quis ir ao encontro das duas que brincavam na sala (ele estava no quarto), mas não conseguiu: um cachorro criado com liberdade faz isso por instinto, empurando a porta com o focinho. A meu ver está havendo exagero em nome da proteção aos animais, resultando em tentativa de humanizá-los. Aliás, já ouvi alertas de veterinários sobre o risco de o ser humano passar suas doenças para os bichos.

      1. É, concordo com você sabe Maria. Não sei se tens net em casa, mas se tiver procure o canal Animal Planet, e veja um programa chamado O Encantador de Cães, que trata da psicologia canina. É excelente e aprende-se muito. O condutor e encantador é um mexicano radicado nos Estados Unidos, César Milan, e ele costuma dizer: “eu reabilito cães e treino pessoas”, sorte dos cães terem este cara, pois se dependessem estritamente de seus donos estariam totalmente perdidos.
        Veja este vídeo e vais entender porque eu disse isso. http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=0Rh_tOitvEQ
        bjos Maria

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