Digo ou não digo? Vou dizer. Assim me livro de uma vez por todas da vontade de fazê-lo: ministro Carlos Lupi, o senhor é um atrapalhado. Se houvesse um prêmio para esse tipo de gente, a estatueta seria sua. Não tenho a menor dúvida sobre isso.

Primeiro, fez aquela demonstração de força, afirmando-se intocável. Ninguém poderia tirá-lo do cargo em decorrência das denúncias que envolvem seu ministério, o do Trabalho. Quando vi e ouvi o senhor cometendo a bravata, pensei com meus botões. É mais um com as horas contadas na equipe da presidente Dilma. Pensei, porque ela tem fama de ser muito braba no meio desse bando de “homens muito meigos” da política brasileira, como ela mesma já definiu a situação.

Mas o senhor ganhou mais um tempo. Sorte sua. E voltou ao microfone, desta vez para dizer que não queria desafiar a presidente quando fez a tal declaração. Poderia – deveria – ter parado nesse ponto. Mas resolveu enfeitar seu pedido de desculpas com aquele ridículo “Eu te amo Dilma”. Por favor, ministro, quem está em uma posição como a sua, tem que pensar pelo menos duas vezes antes de falar. As palavras são camaleônicas. Embora os dicionários afirmem que dizem isso ou aquilo, elas carregam significados para quem as profere, mas podem ter outro sentido, completamente diferente, para quem as ouve.

Aos meus ouvidos, por exemplo, a sua declaração de amor soou como uma espécie de vingança. Depois da retratação, que foi obrigado a fazer porque deseja ficar no cargo, o senhor não quis ficar sozinho na condição de humilhado e então apelou a um recurso que considero infame. Entendi o seu “Eu te amo Dilma” como um recado machista: a presidente é mulher; sendo mulher é carente; sendo carente vai se derreter com uma declaração de amor e vai me perdoar, não importa o erro que eu tenha cometido. Quer dizer, repetiu a bravata com uma variação sobre o tema. Merecia ser demitido.

Mesmo assim o senhor continua no cargo. Se estivesse no lugar da presidente também o manteria ali, mas segurando seu galope na rédea curta, até onde fosse possível sem comprometer o meu programa de governo. Faria isso vendo a situação aqui da planície, onde a impressão que tenho é a de que Dilma assumiu o governo com inimigos na trincheira. Sim, porque ministro que não consegue se explicar quando é apontado como participante de alguma falcatrua é inimigo. Quantos ela já perdeu? Quem vai ser o próximo? Nesse ritmo, imagino que estará sozinha daqui a pouco.

Ou não. Na falta de alguém com quem possa contar na base aliada que a levou ao governo, já estou acreditando que o PSDB pode aceitar alguns ministérios. Ao contrário de Lula, que vivia às turras com Fernando Henrique Cardoso, Dilma se aproximou do ex-presidente, ignorando algumas declarações venenosas dele – “não consigo entender o que ela quer dizer quando fala sobre economia”, por exemplo – e nos jornais de hoje recebe rasgados elogios de quatro governadores da oposição. Todos tucanos. O canto deles é forte. Para não ser arrebatada por essa música, a presidente precisa que o coro sob sua regência pare de desafinar.

Anúncios