Soros quer salvar a Europa

George Soros (81 anos) andava quietinho. Mas está atacando de novo, porque farejou uma chance de fazer valer sua ideias sobre como os mercados do mundo devem se comportar. E essa chance é a crise financeira em que a União Europeia está mergulhada, quase perdendo o ar. A opinião de Soros? Em vez de tentar salvar os países em crise na Zona do Euro, os que estão debatendo formas de enfrentá-la deveriam mudar o foco e concentrar seus esforços, antes de mais nada, em medidas que salvem os bancos. Em entrevista ao jornal Welt, da Alemanha, o megainvestidor afirmou que o guarda-chuva da União Europeia (UE) europeu não tem recursos suficientes para salvar os dois ao mesmo tempo.

Soros vê a situação da Europa como absolutamente dramática, em perigo mortal. Por isso, se a decisão dependesse dele, o fundo de ajuda europeu EFSF (Linha Europeia de Estabilidade Financeira) entraria imediatamente em ação com uma garantia ao sistema bancário. Mas o que observa é exatamente o contrário: os líderes da UE insistem em que os bancos devem fortalecer seu capital, o que ele define como um erro básico, que vai custar muito caro à Zona do Euro se não for corrigido.

Segundo Soros, a Europa está às voltas com dois graves problemas: um deles é o enorme endividamente do Estado, que causa o outro, a labilidade do sistema bancário. Os recursos à disposição podem resolver um deles. E não há margem para enganos, alerta o investidor, porque, depois de empregadas no objetivo errado, as reservas do EFSF não poderão ser recuperadas. Agora tudo depende de como serão usadas.  

George Soros também chama a atenção sobre a possibilidade de insolvência na Itália. A dívida estatal italiana, assim como a da Espanha, é grande demais, diz. Ninguém tem condições de se responsabilizar por ela. Para piorar a situação, os líderes da Europa não avaliam devidamente a reação dos mercados financeiros, que nunca veem com bons olhos uma proposta de garantia compartilhada.

Soros explica a avaliação equivocada, acrescentando que, diferentemente do que vê na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, à política da Europa continental falta o conhecimento de como os mercados funcionam. E por isso, segundo ele, a União Europeia corre o risco de se desintegrar. Pior: está entrando em agonia. Se não houver uma intervenção inteligente, vai morrer.

Muito bem-instalado num hotel de Bruxelas, o megainvestidor afirma que está verdadeiramente preocupado com o destino da Europa. Ele defende uma Leitidee (ideia que é a espinha dorsal em toda as variações de seus discursos), que persegue desde os tempos de estudante em Londres: uma sociedade aberta que garanta maior liberdade a seus cidadãos.

Ele aproveita todas as oportunidades para divulgá-la, em palestras, em livros e também na fundação em que tem focado principalmente a Europa Oriental. Mas agora seu faro lhe diz que está na hora de se ocupar de toda a Europa. Para isso, criou uma fundação com escritórios em Bruxelas e em Budapeste e seu objetivo, através dela, é estimular a política liberal de mercado.

Especificamente sobre a Alemanha, George Soros afirma que o país sempre foi a força mais importante no estímulo ao crescimento conjunto. Mas ele acrescenta que é preciso reconhecer que também é responsável pela derrocada da Zona do Euro, embora não tenha, conscientemente, trabalhado com esse objetivo. O que houve, segundo o investidor húngaro naturalizado norte-americano, foi uma atuação digna de uma tragédia grega no sentido clássico, em que os personagens constróem um fim trágico sem se darem conta disso. E não conseguem escapar dele.

Sobre como isso tem a ver com a Alemanha, Soros explica que o país teve que assumir a liderança da União Europeia sem querer esse papel. Na verdade, até tentou se esquivar dele. Portanto, lá no fundo nunca aceitou a responsabilidade inerente à sua posição. Isso teria ficado muito claro em um caso específico, ocorrido em novembro de 2009, quando a chanceler Angela Merkel, diante da falência do Lehman Brothers nos Estados Unidos – séria ameaça de levar todo sistema bancário de roldão – concordou em socorrer os bancos, com uma ressalva: “Sim, mas a garantias devem ser dadas por cada país, individualmente e não pela União Europeia ou pela Zona do Euro de forma coletiva”, afirmou. Para Soros, a crise da Europa começou naquele momento.

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