Um pouco mais sobre Nana Mouskouri

A cantora grega Nana Mouskouri tem admiradores no mundo todo e vendeu mais de 250 milhões de discos ao longo de sua carreira. Aos 76 anos de idade, ela está comemorando 50 anos de dedicação à música e continua lotando auditórios. No dia 29 de novembro, ela canta na Berliner Philharmonie, a casa da Filarmônica de Berlim, que é famosa também por sua acústica perfeita e pela beleza de sua arquitetura. Com essa apresentação, Nana fecha a turnê do espetáculo 50 anos de rosas brancas na Alemanha.

O jornal Zeit aproveitou a oportunidade para conversar com Nana. Não sobre música, desta vez, mas sobre a qualidade dos hoteis em que já se hospedou em suas turnês. Ela não faz mistério. Fala sobre suas preferências e sobre o que de pior já vivenciou. É um jeito diferente – e delicado – de saber um pouco sobre a Nana pessoa, sobre como ela é quando não está no palco.          

P: O que leva quando se hospeda em um hotel?

Nana Mouskouri: Um sabonete com jasmim- rosas – ou cheiro de hortelã. Faço isso, porque muitos só oferecem sabonete líquido, do qual não gosto. Não consigo me acostumar a ele, acho desagradável quando escorre sobre a minha pele. Além disso, levo comigo fotos de minha família e as coloco sobre a mesa de cabeceira. Quando estou sozinha, até as deixo sobre o outro lado da cama para não me sentir tão só.

P: Como é um quarto em que a senhora se sente bem?

Nana Mouskouri: Não deve ser excessivamente decorado. Já na entrada não deve me passar a impressão de que estou no lugar errado. Houve uma vez em que morei, durante uma semana, num hotel de estilo colonial no Quênia e, na volta, tive que fazer uma escala em Munique. Pernoitei no Bayerischen Hof, onde o gerente foi extremamente gentil e me deu a suíte mais bonita do hotel. Era um quarto com decoração africana: leões, máscaras, muitas cores, lindo, mas me lembrava do hotel no Quênia e me deu a impressão de não ter saído de lá. Pedi imediatamente um outro quarto.

P: Que tipo de serviços usa nos hoteis?

Nana Mouskouri: Peço a entrega de um jornal para o início do dia, na maioria das vezes é o International Herald Tribune. Afora isso, sempre peço que me levem o café da manhã ao quarto. Mas faço esses pedidos através do telefone, porque acho muito impessoal que sejam acertados pelo meu empresário. Alguns hoteis têm um mordomo para o andar VIP – ele normalmente é muito agradável, mas um pouco zeloso demais. Há 15 anos, quando fiz um pernoite em Sun City, na África do Sul, o mordomo trocou a garrafa de café a cada 10 minutos para que não esfriasse. E no Regent Hotel, em Hongkong, trocam os chocolates a cada hora para que não derretam.

P: A senhora tem um hotel preferido?

Nana Mouskouri: O Connaught, em Londres. Lá fico quase sempre na mesma suíte, no segundo andar. Tem uma cama maravilhosa, alta e macia. Sinto-me ali como se estivesse na casa de minha avó, que tinha uma cama parecida, mas sem todo esse luxo. E no quarto há um piano, no qual volta e meia toco.

P: Qual foi, até hoje, sua pior vivência hoteleira?

Nana Mouskouri: Uma vez, na década de 1970, meu empresário norte-americano me hospedou no velho Regent, em Washington. Já de fora, seu aspecto era de ruína. Enquanto esperava que me entregassem a chave na recepção vi um animal correndo ao longo da parede. Comentei com o meu guia sobre minha estranheza diante do gato. Era o que me parecia. Então, para minha surpresa, ele me respondeu que era um rato, como se  fosse a coisa mais normal do mundo. E me pediu que ficasse tranquila. Passei a noite em claro. Não consegui dormir. Em Nova Iorque, no começo dos anos oitenta, fui vítima dos amigos dos chamados amigos do alheio, que levaram alguns dos meus objetos de valor. Não consigo me lembrar do nome do hotel, mas da reação do gerente não esqueço. Ele me disse: A senhora teve sorte de não estar no quarto naquele momento.

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