Vaidade cimentada e dolorosa

A polícia descobriu que a charlatã aplicou o cimento também no próprio corpo

Na corrida em busca do corpo que idealizam, algumas mulheres cometem verdadeiras loucuras, como submeter-se a procedimentos sem antes investigar o profissional que vai realizá-los. Um exemplo dessa leviandade foi notícia no Huffington Post em novembro, nos Estados Unidos, onde a falsa médica Oneal Ron Morris (foto policial), de 30 anos, quase acabou com a vida de pacientes, injetando-lhes uma mistura de cimento e óleo mineral nas nádegas.

Quando entravam na sala de cirurgia, as vítimas da vilã contavam como certo que sairiam dela com o popô de seus sonhos. Avantajado, arrebitado e insolente. Na onda da moda, embora muitas vezes seja grotesco. Afinal, a pedido da charlatã, elas haviam feito o pagamento antecipado da operação: 700 dólares. Se arrependimento matasse… A partir de algumas horas depois do procedimento, a dor se tornava insuportável e todas eram obrigadas a procurar por ajuda em hospitais, onde verdadeiros médicos acabavam constatando que estavam “envenenadas” e que, além de lhes injetar cimento e óleo mineral, a vilã tinha fechado os cortes feitos com cola instantânea (algo aparentado com super bonder).

O interessante é que a charlatã conseguiu percorrer boa parte dos Estados Unidos sempre se apresentando e trabalhando como médica. Durante anos, a polícia esteve no seu encalço, mas não conseguia colocar as algemas nela porque, não tendo um paradeiro ou endereço fixo, ela desaparecia como um grão de areia nas dunas. Mas, pelo jeito, acabou perdendo a noção de perigo em Miami, onde a polícia também descobriu que a “doutora” é, na verdade, um homem e que aplicava cimento e óleo mineral em si mesmo. Agora ele vai ser submetido a julgamento e pode ser condenado a até cinco anos de prisão.

O fato é que a vaidade humana nem sempre é inócua, podendo estabelecer uma perigosa relação com o crime, que transforma pacientes em vítimas quando submetidas a procedimentos que cabem aos médicos. Exagerada, funciona como se fosse uma droga, impedindo na pessoa a consciência dos riscos que corre. Além disso, não é exclusividade dos países do chamado Terceiro Mundo. Está em toda parte onde haja alguém que coloque seu valor unicamente na aparência, acreditando que ela é o único critério que os outros levam em consideração para aprová-la ou não. A pergunta é: a dor física que o peso do cimento injetado em suas nádegas impôs às vítimas do charlatão norte-americano vai curá-las da dor psíquica que as impele à busca do corpo perfeito? Isso é caso para psicólogos, psiquiatras, psicanalistas.

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