A vitória da persistência

Empreendedora. Esta palavra é muito apropriada para definir Vera Lúcia Berti Chaves, dona da loja Vera Chaves, na Mariante 1080, quase esquina com a avenida Protásio Alves, no bairro Rio Branco. Ali o dia da microempresária é rico em formatos e cores que se multiplicam em tonalidades, porque ela vende objetos de decoração – do piso ao teto – e utilitários para a cozinha.

Nem sempre foi assim. Antes de se tornar empresária, Vera trabalhou oito anos na Sispro, uma empresa de processamento de dados localizada em Canoas. Paralelamente, produzia peças artesanais para a loja Lina – instalada na rua Senhor dos Passos – e com o dinheiro resultante dessa atividade pagava a Faculdade de Pedagogia, com ênfase em orientação educacional. Mas nunca atuou nessa área.

Como dizia dona Jura, a proprietária do bar da novela O Clone (Globo), o trabalho artesanal de Vera não era brincadeira, não. Era pesado. Semanalmente ela fornecia 500 caixas forradas de cetim à loja. O retorno? “Uma mixaria”, diz. Ela se deu conta do que estava perdendo quando constatou a diferença entre o que recebia por cada uma de suas peças e o valor pelo qual cada uma delas era vendida na Lina. Mas foi objetiva. Em vez de mergulhar nas lamúrias, resolveu virar a mesa e assumir os riscos da autonomia.

Vera deu esse passo há vinte anos, quando se instalou no mesmo endereço e na maior dureza, porque não havia pia para lavar as mãos e não havia banheiro. A situação era verdadeiramente constrangedora. Alguém com menos força de vontade teria desistido.  Ela persistiu e foi recompensada. Com o passar dos anos conseguiu ampliar seu espaço, fez uma boa reforma nele e hoje é proprietária do local. “Preciso dizer que também tive sorte”, afirma. E o que chama de sorte foi o desejo dos antigos donos de vendê-lo.

Agora, rodeada de enfeites de Natal, Vera também conta que aprendeu muito ao longo do tempo sobre o comportamento dos clientes e sobre a estratégia de vendas. Por exemplo: ao contrário do que ocorre nas lojas de roupas, onde entra em cena o desejo de exclusividade, quando se trata de decoração, o freguês quer ver as peças em família e em vários formatos, porque isso lhe permite comparar o efeito que cada uma pode fazer num ambiente.  “As pessoas não veem as peças únicas”, diz a microempresária.

Também ao contrário do que se imagina, nessa área o consumidor é surpreendido pelas ofertas, embora elas possam até resultar da leitura que os fabricantes fazem das expectativas ou necessidades dele, reciclando um produto ou apresentando algo totalmente novo. Segundo Vera Chaves, uma linha de novidades leva de dois a três anos para ser assimilada. Um exemplo disso é a árvore cônica de Natal, que foi rejeitada no início e precisou de um tempo para ser aceita. O motivo? É diferente da tradicional.

Para mudar isso, a divulgação tem que levar em conta que deve colocar o produto na mente do consumidor.  Deve convencê-lo no passo a passo, ensina a microempresária, que gosta de novidades e as procura nas edições da Gift, em São Paulo, para oferecê-las aos que visitam sua loja. Ela ama o colorido e as formas que a rodeiam. E ama o que faz. É o que garante o sorriso com que recebe as pessoas.

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3 comentários em “A vitória da persistência

  1. Sim, a persistência é mais ou menos isso “pensar com amor”, na linguagem do coração. Já no dicionário a palavra persistência significa constância, firmeza, o que também não deixa de ser uma forma de amor né. Exemplo bonito e muito útil o desta senhora e que você viu, gostou e registrou. Atitudes dizem muito mais que palavras, mas muitas vezes as palavras são o recurso para mostrá-las ao mundo, ou ao maior número de pessoas. Parabéns e muitos bons resultados prá dona dona Vera Lúcia!

      1. Obrigada, Maria!
        A vida tem sido generosa em experiências, que a cada dia vão me ensinando mais e aos poucos.

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