Queria ser gentil, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, quando encontrou o presidente da França, Nicolas Sarkozy, ontem, em Bruxelas, onde as possíveis soluções para a crise do euro estão novamente em discussão. Pois é, Cameron tentou, mas não deu certo: todo sorridente, ele se aproximou de Sarkozy e lhe estendeu a mão, mas o presidente francês virou-se levemente para o lado, cumprimentou ostensivamente outra pessoa e ignorou o gesto do ministro da Inglaterra.

O jornal britânico Daily Mail se disse “indignado” pela atitude, considerando-a uma ofensa que deixou às claras o que Sarkozy pensa de Cameron. O problema é que o primeiro-ministro britânico fez por merecer o menosprezo de Sarkozy, segundo observadores de seu comportamento em relação à crise do euro. Ele próprio tratou de se isolar em Bruxelas: todos os 17 países da Zona do Euro aprovaram um pacote de união fiscal e contaram, para isso, com a adesão de noves países da União Europeia. A exceção foi a Grã-Bretanha, que teme especialmente o fortalecimento da Alemanha na economia europeia.

Segundo o Daily Mail, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy estão definindo o tom dos debates que tentam impedir o agravamento da crise do euro. E principalmente o presidente francês está se mostrando muito “saliente”. Segundo o jornal, a arrogância com que tratou Cameron foi extremamente humilhante e seu efeito só não foi pior porque o inglês, quando passou por Sarkozy, bateu-lhe levemente no ombro – com a mão estendida, mas ignorada – e seguiu em frente. Salvo pela fleuma, uma das características dos súditos da rainha Elizabeth.

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