Uma avaliação dos últimos 12 meses? Isso é coisa para o Globo Repórter. Aliás, o programa rola no ar, mas não estou telespectadora. Perdi a vontade de vê-lo quando, no Jornal do Nacional, ele foi anunciado como um balanço do ano “em que o mundo mudou”. Sejamos honestos: mudou onde?  

Até acreditaria em uma mudança se, além das catástrofes naturais, essas que não conseguimos prever e controlar, os poderosos do mundo tivessem se empenhado, de fato, na tentativa de desatar alguns nós. Por exemplo: o permanente conflito na Faixa de Gaza, entre palestinos e israelenses. O governo de Obama fez exatamente o contrário. Puniu a Unesco quando a instituição acolheu o pedido de espaço dos palestinos. A justificativa dele choveu no molhado – as duas partes devem dialogar para chegar a um acordo de paz –, porque diálogo intermediado pelos Estados Unidos é o que nunca faltou nesse caso. E o fim das ditaduras da Líbia e do Egito?  É a dança das cadeiras.  

Nada mudou. E nada mudará enquanto as cartas com que o mundo joga forem ditadas pelos governos que se sucedem nos Estados Unidos e por seus aliados. Apesar dos abalos econômicos, a terra do Tio Sam continua muito convincente. Armada até os dentes sente-se autorizada a invadir outro país com base em uma mentira e a deixá-lo para trás destruído, uma década depois, como fez com o Iraque.

Diante disso, nada há para ser comemorado como mudança. Minto. Gostei de uma notícia que Correio do Povo e Zero Hora publicaram nesta sexta-feira: Samoa engoliu um dia do calendário. Pulou do dia 29 diretamente para 31 de dezembro, alinhando seu fuso horário com o da Austrália e da Nova Zelândia, com quem mantém intensas relações comerciais. Com isso, a ilha encerra seu alinhamento com a Califórnia, nos Estados Unidos, cujo fuso havia adotado em 1892, também por razões comerciais.

Mas por que essa decisão das autoridades de Samoa me interessa?  Nada a ver com minhas restrições à política norte-americana. O motivo é outro. Embora nunca tenha colocado meus pés nessa ilha do Pacífico, ela tem um lugar na minha memória. Então, quando li a nota sobre a mudança do fuso horário foi ali que a reencontrei, dividindo espaço com as muitas canções que fui aprendendo ao longo da vida. E cantarolei: “Sehnsucht nach Samoa/macht mein Herz so schwer… ( Saudade de Samoa/pesa no meu coração)” A canção é de Erick Offierowski, Adam Schairer e Jean Frankfurter sobre as belezas naturais e femininas de Samoa. Um paraíso que, segundo mostram alguns sites, não mudou desde que a música foi composta. Fiquei com vontade de visitá-lo. Por que não? Pode ser uma boa intenção para 2012.

De resto, cada um deve cuidar de seu paraíso particular no ano que está começando. Mas quero deixar a minha contribuição. É matéria que encontrei no jornal Welt online, sobre os resultados de pesquisa realizada por dois sociólogos nos Estados Unidos – Benjamin Cornwell e Edward Laumann. Os pesquisadores ouviram 3005 homens, com idades variando entre 57 e 85 anos. Embora seu foco seja a sexualidade masculina, esse trabalho também interessa às mulheres, as parceiras. Alguma novidade? Sim.

Com base nas respostas que receberam, os sociólogos concluíram que a existência de um “melhor amigo” na vida do casal nem sempre é positiva. Pelo contrário, pode ser maligna para o marido, porque ele fica inseguro e, em consequência, perde potência sexual. Mais: quanto maior a diferença de idade entre os dois, maior o estrago que a presença do “melhor amigo” causa ao homem.

Mas a pesquisa coordenada por Cornwell e Laumann identificou outro motivo para o surgimento de dificuldades na relação dos casais: a baixa estatura. Homens pequenos têm sede de poder, são egocêntricos e, se preciso, vão à guerra para chamar a atenção. Em resumo: têm imensa necessidade de autoafirmação. Um exemplo na história é Napoleão Bonaparte, que tinha 1m e 69 centímetros de altura. Outro é Nicolas Sarkozy, casado com a atriz/cantora Carla Bruni. Sempre que aparecem em público, o presidente da França dá uma de bailarino e fica na ponta dos pés para diminuir a diferença entre os dois. Ele tem 1 metro e 65 centímetros de altura; ela chega perto de 1 metro e 80.

Outros resultados do estudo apenas confirmam conclusões de trabalhos anteriores desse tipo. Um deles é o benefício que o casamento traz aos homens. Embora seguidamente o tratem como “prisão” e deplorável “perda de liberdade”, o casamento lhes dá mais tempo de vida. Com as mulheres acontece o contrário. Elas vivem mais tempo quando estão sozinhas.

Isso acontece porque, no caso da mulher, o “estar desacompanhada” não significa sentimento de solidão, pois, ao longo da evolução, ela foi preparada para olhar em torno, para ver o outro e suas necessidades. É cuidadora. Dos outros. E quando estes não estão por perto ela cuida de si mesma, decora, lê, cultiva plantinhas, costura, faz tricô, viaja. Além disso, a mulher é essencialmente curiosa. Por isso, embora fale muito e até seja criticada por isso, ela também é boa ouvinte.  

Cornwell e Laumann aproveitam para fazer um alerta aos homens: o prejuízo que a solidão causa à saúde é tão grande quanto o consumo diário de 15 cigarros; seu efeito está no patamar do provocado pelo exagero na bebida alcoólica; e seu impacto na vida de uma pessoa é pior do que não praticar esporte. Os dois fazem um alerta também à confraria do Facebook. Segundo dizem, quanto maior o número de “amigos”, tanto maior o estresse que essa atividade – sedentária – causa. A sugestão dos pesquisadores: quem tem 117 amigos deveria substituir alguns – mais ou menos a metade – e procurar uma troca de ideias olho no olho, porque a boa convivência aumenta a expectativa de vida em até 22%. 

Pois é, o Facebook. Tem, na minha avaliação, um lado desagradável. Pretende ser uma ferramenta bem democrática e, na prática, isso nem sempre se confirma. Mas isso é tema para outro comentário. Estou nele, sem muita convicção. Um pé dentro. Outro fora. Prefiro uma conversa em torno da mesa. O resto é “Sehnsucht nach Samoa”.

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