Para saber é preciso fazer

Tomates verdes fritos é um prato típico do sul dos Estados Unidos. Claro que todos, pelo menos aqueles que frequentam as salas de cinema já sabem disso, porque ele virou nome de um filme baseado em livro da atriz Fannie Flagg – Fried Green Tomatoes at the Whistle Stop Café. Dirigido por Jon Avnet, a personagem que leva à história central do enredo é uma dona de casa deprimida que o marido praticamente ignora no dia a dia e que anestesia sua mágoa recorrendo ao consumo exagerado de doces. Mas através dela o espectador chega ao drama de Ruth, que, fugindo de um marido que a espanca sistematicamente, recebe o apoio de uma terceira mulher. É Idgie, dona da lanchonete onde as duas servem o prato de tomates verdes fritos aos frequentadores. 

Vi o filme, volta e meia ele reaparece nos telecines, mas continuo desconhecendo o sabor dos tais tomates.  Planejo corrigir isso, colocando em prática uma das várias receitas – praticamente iguais – que encontrei em sites da internet. No final das contas, a experiência me servirá também para acrescentar mais um tempo ao contato que já cultivo com a magia que paira na cozinha, onde sinto que a intuição e a percepção que se tem de si e dos outros fluem melhor e onde elementos essenciais se unem para alimentar corpo e alma – fogo, sal, água e afetividade.

Mas quando pesquisei sobre tomates verdes acabei encontrando outras informações além de como a fruta deve ser fatiada e da quantidade necessária de farinha de fubá, sal e ovo no preparo do prato amado pelos norte-americanos. Uma delas me deixou apreensiva, porque faz um alerta sobre o risco que há no consumo dessa fruta quando ainda não devidamente amadurecida: sua ingestão até cerca de 80 gramas pode provocar mal-estar generalizado acompanhado por vômitos.  E a possibilidade de consequências ainda mais graves não deve ser descartada. Fatais, inclusive. Segundo o resultado de estudos feitos com a fruta na Alemanha, quatro quilos de tomate não maduro são suficientes para levar uma pessoa à morte.

Ainda de acordo com os pesquisadores, o tomate verde é especialmente perigoso porque contém o alcaloide Tomatin, que, quando em concentração pequena, desempenha uma função antibiótica específica e importante, protegendo a planta contra agentes parasitários, besouros e cogumelos. Esse benefício não se estende ao ser humano, lamentavelmente. Além de causar mal-estar ao consumidor, essa substância é quimicamente aparentada com o Solanin, que existe na batata e que também deve ser evitada quando ainda não estiver totalmente madura.

Em resumo: o efeito do consumo do tomate e da batata verdes é tão nocivo quanto o causado pelo tabaco e pela cereja silvestre. Este é o recado dos pesquisadores, que estou passando adiante. Mas continuo disposta a me aventurar no preparo de um prato de tomates verdes fritos, acreditando que o calor da fritura certamente dá conta do veneno que há nele quando cru. Penso que, se não fosse assim, o povo do sul dos Estados Unidos não o teria entre suas preferências à mesa. Agora, se o paladar de quem adora massa temperada com molho de tomate superpovoado por azeitonas pretas fatiadas, ricota em cubos e muito azeite de oliva extravirgem vai aprovar o resultado, isso é outra história. Para saber é preciso fazer.

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