A marcha dos metalúrgicos

Os ponteiros do relógio indicavam que o dia já estava no começo da tarde. Eu vinha do Colégio Parobé, onde havia assistido a uma alegre aula de música durante a manhã, quando vi uma procissão vermelha avançando pela Borges de Medeiros. Não era a torcida colorada declarando seu amor pelo time, embora seja até sensato imaginar que, no meio de toda aquela gente, pelo menos a metade detesta o Grêmio.

Fazia tempo que não via nada assim, porque o povo se aquietou muito nos últimos anos. Nada para reclamar? Acomodação? Falta de liderança? Não sei. O que sei é que a imagem dessa marcha vermelha, realizada para lançar a campanha salarial 2012 dos metalúrgicos do Rio Grande do Sul, me fez um bem danado. Gostei de ver. Estamos mais contidos, mas não estamos mortos e, mesmo que o faça de forma menos agressiva do que quando o PT estava na oposição, a classe trabalhadora – incluindo os sempre injustiçados professores – ainda sai à rua para reivindicar a solução de problemas que afetam sua vida pessoal e profissional.

A precariedade do ambiente de trabalho é um dos problemas da categoria que hoje parou o trânsito na Borges. Além de mutilador e de causar graves doenças e morte, por causa do descaso com a saúde e a segurança, significa enormes prejuízos aos recursos públicos, alerta o presidente da Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul, Flávio Fontana de Souza. Para que se tenha uma ideia do que esse descaso provoca no País, ele cita o levantamento mais recente feito pela Previdência Social: anualmente, são gastos em torno de R$ 10,7 bilhões com acidentes e doenças do trabalho.

A marcha desta quinta-feira tinha dois endereços. Na Assembleia Legislativa, os metalúrgicos mostraram seu apoio ao Projeto de Lei de revitalização dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador, do deputado estadual Nelsinho Metalúrgico, e entregaram sua pauta de reivindicações ao presidente da Casa do Povo. Depois seguiram até o Palácio Piratini, para expor a situação da categoria ao vice-governador, Beto Grill, e pedir do governo ações que promovam o acesso ao trabalho, garantia de qualidade, segurança, melhor atendimento à saúde e salário mais justo. E, claro, marcharam com a esperança de serem atendidos. Registrei o momento torcendo por eles. Sou gremista, mas nessa hora qualquer cor cai bem.

PS: A categoria aprovou, também nesta quinta-feira, o reajuste de seus salários em 7,5%

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