Se tivesse seguido o que é tradição em sua família, Jonathan Scarpari seria empresário. Plantaria e colheria arroz em Santa Catarina, onde nasceu na Praia Grande, em 1984. Claro, ele tentou. Aplicou-se na Agronomia. E também na Química, até o antepenúltimo semestre do curso. Mas descobriu que seu futuro não era colher arroz e que pouco ou nada teria a ver com elementos químicos; estaria ligado ao estilismo, criando roupas que se destinam ao universo masculino.

E como se faz isso? Essa é a pergunta que lhe fiz no corredor da ACIRS, onde somos alunos das aulas de italiano. Explico-lhe o ponto de interrogação que coloquei já no início de nossa conversa, observando que vejo pouca mudança no figurino masculino. Pouquíssima, na verdade. O que se vê nas lojas e no corpo dos homens é praticamente a recriação do que já existe há décadas. Ele concorda, mas acrescenta que não segue tendências. Seu trabalho é “autoral” e expressa um modo muito próprio de ver o mundo. “Sou ponderado e mesclo peças que causam impacto com outras que remetem ao conservadorismo”, conta, acrescentando que adora fazer isso também na roupa que veste.

O envolvimento de Jonathan com a moda começou a ganhar formas concretas no Senac, onde foi aluno e seu look estampou a campanha publicitária da entidade para o primeiro curso Técnico de  Moda do Rio Grande do Sul. O passo seguinte foi a graduação em moda na UniRitter e, recentemente, ele recebeu o prêmio de Melhor Vídeo de sua coleção na Fashion Mob e desfilou suas criações na edição 2012 do Donna Fashion Iguatemi. Agora está preparando mais um vídeo para a Casa de Criadores de São Paulo. Suas peças estão expostas na Voga Loja Galeria de São Paulo, no Gabinete de Curiosidade em Porto Alegre e já chegaram à Europa, através da versão italiana da revista Gentlemen´s Quarterly (GQ), endereçada aos homens.

As coleções resultam de um processo que começa na ideia principal, mas que Jonathan Scarpari amadurece através da pesquisa e de uma série de testes até materializá-la em forma de roupa. E, embora ele tenha se afastado dos arrozais, dos parreirais, das máquinas agrícolas, dos animais e do contato direto com a natureza, o ambiente rural ainda é referência muito forte. “Estou sempre buscando as minhas origens e a minha identidade; no meu trabalho volto sempre ao lugar de onde vim”, explica o jovem estilista.

E qual é a definição para elegância? Ele responde que “elegante é quem mostra interesse por assuntos que desconhece; é retribuir a gentileza com carinho e solidariedade, porque atitudes gentis falam mais que mil palavras”. Nisso cabe: “Elegante é você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber o quanto você se arrebentou para fazê-lo”. E no armário do homem? Bem, no armário masculino “não pode faltar uma boa camisa; bem cortada, bem alinhada”.

Fotos: Thais Marini Maciel; Direção de Fotografia: Ricardo Zauza; Modelo: Roger Fernandes (Premier)

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