Ele é uma espécie de precursor dos astronautas e suas teorias sobre o universo renderam filmes como Prometheus, de Ridley Scott, e a série Stargate. Polêmico, aceito, questionado e motivo de chacota, Erich von Däniken, o autor da pergunta Eram os deuses astronautas?, acredita que a resposta é sim e acredita também que os extraterrestres, em data e hora que ainda não sabem quais são, farão um pouso no planeta Terra. Ou vários. Eles já estiveram aqui, onde nos semearam. Então, por que não nos fariam outras visitas?

A jornalista Elisalex Henckel conversou com ele sobre a beleza do universo e outros temas relacionados.  Publicada no jornal alemão Welt, a entrevista começa perguntando se o mundo vai realmente terminar no dia 21 de dezembro de 2012. O apocalipse está previsto no Calendário Maia, segundo estudiosos do assunto.

Antes das perguntas e respostas, Henckel conta que uma torre com uma bola branca imensa no alto indica o caminho que leva ao parque temático criado por Erich von Däniken há nove anos, no lugar onde nasceu.  Por causa de problemas financeiros, o espaço fechou suas portas três anos depois, mas alguns setores foram reabertos sob nova direção, de então para cá, sem garantir um aumento no número de visitantes. Hoje não passam de uma dúzia de gente que percorre diariamente as recém-construídas pirâmides e pavilhões já marcados pela ação do tempo e do clima.

O próprio von Däniken raramente é visto em contato direto com os visitantes do parque. Costuma recebê-los do terceiro andar do prédio em que funciona seu escritório abarrotado de livros. Mas isso acontece somente à tarde, porque ele não gosta de falar durante a manhã. Henckel também descreve o cenário e a atuação do personagem central: ele lhe ofereceu um lugar em torno da mesa de conferências sobre a qual mapas dividem espaço com pequenos objetos e mais livros. Depois, serviu uma limonada light e acendeu o primeiro dos muitos cigarros que fumou durante a conversa.

P: Senhor  von Däniken, deve estar muito ocupado neste ano.

Erich von Däniken: Sim, essa estúpida história sobre o Calendário Maia. Repentinamente todo tipo de pessoas quer ouvir Däniken sobre o assunto. Isso é um pouco histérico.

P: As pessoas querem saber se o mundo vai terminar no fim do ano?

Von Däniken: Não só, mas também.

P: E ele vai acabar?

Von Däniken: Não! É bobagem toda essa conversa sobre o fim do mundo.

P: O senhor fala e escreve já há muito tempo sobre o dezembro de 2012.

Von Däniken: Mas sempre deixei claro que nada no Calendário Maia prevê o fim do mundo.

P: Então por que dedicou  a ele um livro e um grande número de palestras?

Von Däniken: Porque o calendário termina no final do ano e os maias acreditavam que então os deuses voltarão à terra. Esse retorno é algo sobre o qual todas as culturas da antiguidade falam. Exatamente como as grandes religiões hoje: cristãos acreditam na volta de Jesus; os muçulmanos acreditam que Mahdi vai colocar tudo em ordem novamente; os judeus esperam há milhares de anos por seu Messias. Agora, não podem todos ter razão ao mesmo tempo. Alguns devem estar enganados. Até digo: todos estão errados. Nenhum salvador, de nenhuma religião, virá. Virão simplesmente extraterrestres. Como prometeram.

P: Eles já estiveram aqui?

Von Däniken: Sim. Com alguns seres humanos eles se ocuparam intensivamente, alguns deles até aprenderam a língua deles e, na despedida, os extraterrestres disseram: “Vamos voltar”. Isso migrou para dentro da literatura religiosa.

P: E como eles são fisicamente?

Von Däniken: Humanoides, de alguma forma. Críticos dizem muitas vezes que, se houvessem extraterrestres seria uma imensa casualidade se fossem parecidos conosco. Mas é o contrário: Nós somos parecidos com eles. Nos textos antigos se diz com razão: “Os deuses criaram os homens à sua imagem”.

P: Entretanto há uma nova teoria, chamada Evolução.

Von Däniken: A senhora precisa considerar o seguinte: em algum lugar surgiu a primeira forma de vida, e ela teve, como toda inteligência, o impulso para se expandir pelo universo. A essa ideia chamamos Panspermia e, segundo Svante Arrhenius, Prêmio Nobel sueco, consistiu no envio de algumas toneladas de pedras fundamentais da vida – o que temos como DNA – ao universo. Uma pequena parte chegou a planetas idênticos ao de origem – e só agora começa a Evolução…

P: Então por que eles mesmos vieram?

Von Däniken: Eles eram uma espécie de etnólogos. Examinaram núcleos específicos, aprenderam suas línguas, de forma amigável deram alguns conselhos e levaram alguns humanos para formá-los como intérpretes (tradutores).  Enoc, por exemplo. O livro Enoc pertence à categoria dos textos sagrados na igreja cóptica. A obra descreve como os guardiões do céu, extraterrestres em minha visão, aterrissaram para manter relações sexuais com as filhas bonitas de humanos, apesar de o comandante deles não permitir esse envolvimento.

P: Os aliens tiveram sexo com humanos?

Von Däniken: Essa ideia perversa não veio de mim, mas da Bíblia (cita o primeiro livro Moisés): “Mas quando os filhos de Deus viram que as filhas dos humanos eram bonitas, eles as tomaram como mulheres. Porém somente aquelas que queriam”. Por que deveriam voltar agora? Acredito que, depois que usamos bombas atômicas e desenvolvemos a internet, um membro do clube galáctico talvez tenha dito: “Aos poucos eles estão chegando a um perigoso tempo tecnológico. Deveríamos entrar em contato. Cuidar do que é certo. Ajudar”.

P: Eles nos observam?

Von Däniken: Sim. Para eles a Terra é um zoológico habitado por todos os seus animais.

P: O senhor já viu um Ufo?

Von Däniken: Não, nunca! Acredito que eles se afastam, vagarosamente, sempre que Däniken aparece.

P: Para quando, exatamente, o senhor espera os extraterrestres?

Von Däniken: Em Tortuguero, no México, existe uma pirâmide na qual está escrito que “Bolon Yokte vai pousar aqui em poder e majestade” – Bolon foi um dos deuses que participaram da criação dos homens – e atrás da inscrição há uma data: 21 de dezembro de 2012. Mas não podemos acreditar nisso cegamente.

P: O senhor está mais cauteloso agora que a data se aproxima?

Von Däniken: Não, sempre disse isso. Entre os sacerdotes maias também podem ter existido agitadores, delirantes.  E, mesmo que tenham razão, é preciso levar em conta que pode ter ocorrido algum erro na conversão do Calendário Maia para o cristão.

P: O que o senhor tem como data provavelmente mais certa?

Von Däniken: Tenho esperança, simplesmente, de que dentro de 20 anos aconteça algo.

P: O que lhe dá tanta certeza de que eles virão como amigos?

Von Däniken: Os historiadores antigos descrevem os deuses como mestres ricos em ensinamentos. Diodor escreve que os homens abandonaram o canibalismo por influência dos deuses. Também aceito que quando temos a tecnologia para atravessar anos-luz não se é mais primitivo, então não se dispara em torno como acontece nesses estúpidos filmes de ficção científica que vemos nas salas de cinema.

P:  O senhor sonha com os extraterrestres?

Von Däniken: Às vezes.

P: O que?

Von Däniken: Uma vez minha mulher me disse durante um sonho: “Lá fora há muitos Ufos”. Portanto, fui até o balcão e o céu estava cheio deles e um deles pousou bem na minha frente. Meu Deus, pensei, como isso é bonito. Finalmente posso ver isso, posso conversar com eles.  Mas acordei antes de sonho chegar a esse ponto.

P:  Por que acredita que pode ver coisas que outros não veem?

Von Däniken: Arqueólogos, teólogos e todos os outros cientistas que conheço são gente brilhante, a maioria até rica espiritualmente, mas têm esse olhar que se estreia como um túnel. Um egiptólogo nada sabe sobre os incas. Eu, ao contrário, sei de cada área muito menos do que os especialistas, mas cruzo informações que não ocorrem a outros.

P: Por que nunca estudou?

Von Däniken: Falta de dinheiro. Minha avó tinha um restaurante em St. Gallen e sempre me sustentou. E ela me disse: “Erich, te prepara para a Gastronomia”. Fiz isso. Bastou. Se tivesse estudado, ido para uma universidade, provavelmente veria tudo como os cientistas veem. Não seria um livre-pensador, seria um esquemático como eles. Das inovações precisam sempre vir de fora.

P: Quando os cientistas debocham do senhor isso o incomoda?

Von Däniken: No início me incomodava. Agora já faz um tempo que não dou bola. São os delirantes que mantêm o mundo respirando. Não os contadores de ervilhas.

P: O senhor gosta do papel de contador de lendas?

Von Däniken: Estou sempre à procura do que não está na moldura e muita coisa sobre a qual deveríamos refletir chega à minha mesa de trabalho. No momento, passo um pente-fino sobre a geometria que surge no mapa quando se une as cidades santas da Idade Média. Alguém ousou, há milhares de anos, fazer um levantamento topográfico da Terra? Sigo essa pergunta para o meu próximo livro. Tema de trabalho: “Puxão de orelhas do passado”.

P: Desde quando tem certeza da existência de extraterrestres?

Von Däniken: Parte de minha vida estive num internato católico, onde a religião ocupou muito de meu tempo. Ali algo chamou a minha atenção especialmente. Veja o caso de Ezequiel na Bíblia. Ele descreve um veículo que aterrissa. Isso não é coerente com o meu Deus, pensei. Meu Deus não anda por ai numa máquina como essa; meu Deus está em toda a parte e é atemporal.

P: Seu Deus?

Von Däniken: Sim, ainda sou um ser humano que tem fé e rezo todas as noites. Não para Jesus ou para a mãe de Deus, mas para aquele que chamo de grandioso espírito da criação.

P: E para quê?

Von Däniken: Agradeço por esse indescritível universo. Já é fenomenal estar aqui, podendo viver toda essa aventura. Mesmo que povoada por idiotas fervilhantes, a Terra é e continuará sendo uma maravilhosa pequena bola.

Perfil

Erich Anton Paul von Däniken nasceu em Zofingen, na Suíça, no dia 14 de abril de 1935, e se tornou internacionalmente conhecido por afirmar – e acreditar nisso – que os extraterrestres plantaram a cultura no planeta Terra, mantêm sua influência sobre ela desde a pré-história e voltarão. Entre os 28 livros de sua autoria sobre o assunto, traduzidos para 32 idiomas, destaca-se Eram os Deuses Astronautas?, que lançou em 1970, virou best-seller  e inspirou diretores de cinema. Entre eles Ridley Scott, que fez Prometheus.

Ridley Scott também acredita nos ETs

Prometheus está apenas chegando às salas de exibição, mas o diretor Ridley Scott, 74 anos, já está planejando um remake de Blade Runner,de 1982, com Harrison Ford como protagonista.  Falando à revista Cinema, ele deixou claro que sua dedicação ao tema deve-se também a uma convicção: a de que os extraterrestres existem. “Para mim é uma questão de lógica”, disse. Segundo ele, “basta olhar para cima, para o que chamamos de céu. Não tem sentido acreditar que somos a única forma de vida nessa imensa e poderosa galáxia”.

Aos 74 anos de idade e especializado em ficção científica, Ridley Scott afirma que o pior lado de seu trabalho no cinema é fazer com que os espectadores de seus filmes sintam medo. Muitas vezes, por causa disso, é melhor mostrar menos. Durante a montagem final de Alien, o Oitavo Passageiro, por exemplo, ele se viu obrigado a excluir alguns closes do monstro, uma criatura alienígena que, altamente agressiva, persegue e mata a tripulação de uma nave espacial. Alguém sentiu falta deles? O diretor acredita que não. “Acho que isso não prejudicou o horror”.

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