Pesos e medidas da paixão

L´ereditá é um programa da RAI. Sou telespectadora dele todas as noites, por vários motivos. Um deles é o fato de não encontrar o que valha a pena nas emissoras brasileiras, que, além do humor grotesco, servem uma dose intragável de violência nos jornais e como ingrediente dos roteiros das suas novelas.  Um segundo motivo é que a RAI me dá a oportunidade de estar em contato com expressões que os italianos usam no seu cotidiano e não aprendo em sala de aula.

O programa também é interessante porque propõe uma competição de conhecimentos sobre todo tipo de assunto entre os convidados. O vencedor, aquele que consegue eliminar todos os demais e chega à final, é recompensado com um prêmio em dinheiro. Ainda em euros, obviamente, apesar da crise em que a moeda se encontra. Na edição de hoje, uma pergunta chamou minha atenção em especial. Esta, baseada num estudo: os homens casados com mulheres sempre magras preferem as ex-mulheres gordas. Vero? Falso?  A resposta da concorrente: Falso. “Invece è vero”, disse o apresentador. E ela deixou o programa.

Mas por que meu interesse especial pela pergunta?  Simples. Quando o programa começou, eu estava colocando o ponto final na matéria que pretendia postar um pouco mais tarde, depois de mais uma releitura para tirar de cena possíveis erros. De digitação e de concordância, por exemplo.  E essa matéria tem a atração entre homens e mulheres como tema. Por que, quando menos esperamos por isso, alguém se sobressai no meio de outras pessoas, nos atrai e nos apaixonamos?

Há quem remete a causa ao céu. Estava escrito nas estrelas, diz. Nesse caso, os fisgados pela paixão acreditam que seu encontro foi obra do destino. Será? Através de estudos, psicólogos e psiquiatras chegaramm a explicações menos poéticas quando tentaram definir os motivos que nos levam a achar alguém tão atraente a ponto de nos enamorarmos de uma pessoa entre as tantas que encontramos ao longo da vida. O estresse, por exemplo, ou a aparência – se somos mais gordos ou mais magros – fazem diferença. Grande diferença.

Os homens querem mulheres bonitas e magras. Sonham com Megan Fox ou Scarlett Johansson. É isso que as revistas e os programas de emagrecimento divulgam. O clichê funciona como regra, mas toda regra tem exceção. Assim, quando estão estressados, a mulher muito sexy produz efeito contrário neles e lhes parece até intimidadora. Então, em vez da modelo, os homens preferem as cheinhas de corpo, as cheias de curvas. Esse é o resultado de um estudo realizado na Grã-Bretanha.

Da pesquisa, realizada por Viren Swami e sua equipe na Universidade Westminster, participaram 80 homens europeus, divididos em dois grupos. Aos membros de um deles, submetidos a um teste de estresse padrão, foi pedido que resolvessem um cálculo e que falassem livremente a um comitê. Aos integrantes do outro não foi solicitado o cumprimento de uma tarefa específica. Depois de uma pausa de 20 minutos, os dois grupos apontaram a figura feminina ideal entre as que apareciam em 10 fotos, assim como a mais magra e a mais gorda que acharam atraentes.

O resultado: aos homens estressados, no geral, as mulheres gordas agradavam mais que aos não estressados. Os pesquisadores não estranharam. Segundo eles, isso ocorre porque os seres humanos, como os animais, têm uma necessidade maior de segurança quando se encontram em situações de estresse. Nesse contexto, as mulheres de formas arredondadas, as mais cheinhas, sinalizam no sentido da boa alimentação e de um melhor estado de saúde física e mental; além disso, passam a mensagem de um ciclo mais estável em tudo o que se refere à natureza feminina.

Mas essa gente que faz pesquisas não descansa. Tem sempre uma – ou várias – em andamento. Se realmente dá para confiar nos resultados, isso é outra conversa. Ainda assim, é bom saber com que se preocupam e ocupam. Na Escócia, outro grupo descobriu que, independentemente do estresse, o peso sempre influencia a escolha de um parceiro. Assim, os gordos tendem a escolher parceiros igualmente gordos; e os magros procuram por alguém que seja magro. A metade funcionando como espelho da outra metade.

É isso? Não. Tem mais. Os pesquisadores foram um pouco além em seus estudos e acreditam que fizeram mais uma descoberta interessante, agora especificamente voltada ao corpo feminino: o tipo de homem que a mulher acha atraente também pode ser influenciado pela pílula contraceptiva – se a toma ou não desde o início do relacionamento -, porque o hormônio que impede a gravidez define também o cheiro que ela prefere sentir no parceiro.

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