Chávez perdeu a batalha

hugo chavesO que vai acontecer na Venezuela, agora que o presidente Hugo Chávez está morto? A ferrenha luta contra o câncer que protagonizou de dois anos para cá terminou às 16h30min desta terça-feira em Caracas, a capital do país. Tinha apenas 58 anos de idade e sua morte foi anunciada pelo vice-presidente, Nicolás Maduro, que, horas antes, havia usado os microfones para contar à população que o estado de Chávez tinha piorado e denunciar o que chamou de “conspiração” norte-americana – a doença faria parte disso -, destinada a desestabilizar o governo venezuelano.

Na mesma fala Maduro anunciou a expulsão do país de um funcionário da embaixada dos Estados Unidos por envolvimento na trama. Verdadeira ou não, há um fato: Chávez, líder da Revolução Bolivariana, crítico da globalização e do neoliberalismo, foi ao longo de toda a sua trajetória política sinônimo de polêmica. Seu comportamento – de flagrante oposição às pretensões da potência do Norte, ao mesmo tempo em que se mantinha muito próximo de Fidel Castro e se recusava a romper relações com Ahmedinedjad, do Irã – não agradava aos sucessivos governos dos Estados Unidos.chaves e fidel

Diante da morte de Chávez, que colocou fim a dois meses de agonia e a muitos boatos, Maduro pediu aos venezuelanos que não percam a tranquilidade. “Na imensa dor dessa histórica tragédia que nos atinge agora, pedimos ao povo que seja vigilante da paz, do amor, do respeito e do sossego em nossa pátria”, disse o vice-presidente. Muitas vezes descrito como “caudilho”, Hugo Chávez estava na carreira militar quando foi preso como líder de uma tentativa de golpe contra o então governo de Carlos Andrés Pérez – que criticou muito por excessos na repressão -, depois mudou a Constituição da Venezuela para possibilitar a própria reeleição (quantas quisesse) e chamou muita atenção quando participou do Fórum Social Mundial em Porto Alegre. Intolerante à crítica, cortou a liberdade dos meios de  comunicação, o que é lastimável, e hoje sua morte ganhou este título no portal venezuelano Notícias24: “Hugo Chávez, o Cristo dos pobres da América Latina, está morto”. Mas, pelo jeito, o céu em que ele também acreditou não concorda com isso.

Um pedido a Deus

O câncer, quando veio e reincidiu depois da primeira cirurgia, lhe mostrou que seu poder, embora grande, era apenas terreno. Então, durante missa, no dia 6 de abril de 2012, fez este pedido: “Deus, dá-me vida, mesmo que seja uma vida cheia de dor. Isso não me preocupa. Dá-me tua coroa de espinhos, Cristo. Dá-me essa coroa para que sangre. Dá-me tua cruz, centenas de cruzes, eu as carregarei, mas dá-me vida. Não me leva ainda; dá-me teus espinhos; dá-me teu sangue, que estou disposto a carregar, mas com vida, Cristo, meu senhor. Amém”.

Por algum motivo, o pedido de Chávez não foi atendido por Deus. Seus eleitores lamentam. Normal. A oposição certamente respira aliviada, para não dizer que festeja a morte dele como um primeiro degrau da escada que leva ao poder na Venezuela de hoje, que, embora não seja uma democracia, também não é uma ditadura. Cá, no meu canto sul-americano, lamento que ele não lhe tenha sido concedido mais um tempo de vida, o suficiente para que devolvesse ao rei da Espanha a pergunta que ouviu dele alguns anos atrás: Por qué no te callas? Ainda esperava por isso, porque nunca consegui achar graça na arrogância de Juan Carlos, o caçador de elefantes,  pois nesse lastimável episódio ele mostrou que ainda vê os países da América do Sul com olhos de colonizador.

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2 comentários em “Chávez perdeu a batalha

  1. É, foi-se Chaves, de volta prá casa. Qto ao pedido que fez a Deus – que nada tem a ver com isso – penso que recebemos o que precisamos e que serve para nos ensinar alguma coisa. Não recebemos só aquilo que desejamos. Sem esquecer que “não importa em que situação você se encontre, foi o poder do seu pensamento que o levou até esse local.” Então, cabe a cada um cuidar da própria vida com responsabilidade (inclusive sobre o próprio corpo), e quando criamos coragem de enfrentar as partes obscuras ou sombrias que existem dentro de nós, liberamos preocupações e isto nos libera dos maus e nocivos pensamentos pré-ocupantes. No caso de um ditador como este, desenhar uma árvore, mandar o povo copiá-la e vê-la como uma árvore a despeito desta platéia enxergar um pirulito em vez de uma árvore, adoece, pois a força adoece. Enfim, qto ao ocorrido com o rei da Espanha, falou o que quis e ouviu o que não quis.
    Bjos Maria!

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