Um amor que nada abala

Ar de outono. Luminosidade de outono.  Finalmente!  Foi duro aguentar o verão que se foi, de altíssimas temperaturas. Mas Porto Alegre me encanta, principalmente em abril. É quando gosto de caminhar pela cidade, a esmo ou com destino agendado.

salgado filho 2 Foto0105Fiz exatamente isso nesta quinta-feira, porque tinha uma reunião programada na Associação Riograndense de Imprensa – ARI. Reinventei caminhos já percorridos, segui outros que não quero evitar, descobri e redescobri belezas.  Por isso posso afirmar, cheia de razão, que Porto Alegre engana os apressados. Atrás de sua fachada quase austera há vocação para tudo.

Quem caminha pela cidade é testemunha disso. Do alto do viaduto da avenida Salgado Filho, a visão da beleza serena dos Ipês é uma provocação irresistível. Então é preciso registrá-la. Mesmo que seja no telefone celular.  Mas há um clamor vindo da rua Duque de Caxias. Ah, sim. É o povo do MST, agitando bandeiras e reivindicando direitos na frente do Palácio Piratini.

passaro foto0122passeata Foto0132Uma hora depois, estou na escadaria da Borges de Medeiros, voltando para casa, quando vejo a pomba.  Ela também me vê e fica ali, paradinha, fazendo pose. É o que penso até ouvir alguém que se diverte com a cena e diz: “Ela está assim tão quietinha porque está na paquera…”. E estava mesmo.  De olho no pombo, de olho nela. Nenhum dos dois deu atenção à turma que vinha subindo a avenida pedindo a atenção do prefeito José Fortunati para as reivindicações dos funcionários do município.

027Amo esta cidade. Porque Porto Alegre é mesmo demais, como diz a canção de Fogaça na voz de Isabela.  Amo esta cidade. Irremediavelmente.  Há muito tempo. Na verdade, desde os sete anos de idade, quando na companhia de meu pai visitei o Parque da Redenção pela primeira vez.  Será esse um amor para toda a minha vida? Acredito que sim. Apesar da violência, dos pichadores que se consideram artistas e daqueles que insistem em jogar no container o material que deve ser encaminhado à reciclagem.

Toda essa gente está por aí. Desamando Porto Alegre. Mas não conseguem me entristecer nessa tarde de luminosidade outonal. Chego em casa. E estou feliz. Muito feliz. E não trocaria Porto Alegre por nenhuma outra cidade. Talvez pela bela e histórica Munique? Não. E que tal a tangueira Buenos Aires?  Nada feito. Nem mesmo a simpatia do papa Francisco vai fazer o milagre, porque  Porto Alegre é mais. Demais.

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4 comentários em “Um amor que nada abala

  1. Queria gostar tanto assim de uma cidade, qualquer uma. Lendo o que você escreveu senti inveja deste amor, pois não consigo sentir por lugar nenhum, não de maneira constante e crescente. Gosto enquanto estou morando no local. Algumas cidades em que vivi por algum tempo quase amei, eu acho, no entanto, depois que fui embora ficaram para trás…
    Abração prá você Maria!

    1. Pois , Rosela. Eu realmente amo Porto Alegre. Andando pelas avenidas e ruas desta cidade sempre acabo descobrindo uma faceirice atrs de sua fachada meio sisuda. Assim consigo reinvent-la e me reinventar dentro dela. Abrao.

      Em 26 de abril de 2013 12:43, Maria Wagner

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