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Depois da chuva, quando a manhã beirava a metade do dia, o sol visitou a minha janela e se fez amante, compondo um momento poético. Deu um longo e quente beijo na Arruda e também na Hortelã, que passam os dias olhando a rua, indiferentes à pressa de quem vai e vem e indiferentes ao movimento dos carros. Poesia concreta. Viva. Vi o encontro através da cortina e resolvi guardá-lo em forma de imagem, mesmo sabendo que ele se repetirá amanhã, na semana que vem, no ano que vem. Enquanto houver sol e enquanto a Arruda e a Hortelã estiverem na minha janela.

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