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Vida longa. Muito longa. Se possível eterna. Este é o sonho do ser humano que os cientistas tentam realizar em seus laboratórios de pesquisa. Volta e meia um deles abre uma janela para comunicar ao mundo a descoberta de mais um passo no que acreditam ser o caminho que os levará à descoberta do mistério que cerca a vida. E no ano seguinte ganha um Nobel.

Mas a vida longa sem saúde é o sonho aprisionado, que não consegue levantar voo e se transforma em pesadelo. Penso nisso enquanto misturo no copo do liquidificador os ingredientes –sempre orgânicos – de uma vitamina: duas colheres de linhaça (contém lítio, que joga o ânimo para cima); meio limão, com a casca; duas folhas de couve; uma banana; uma cenoura; um pedacinho de gengibre; uma colher de sopa rasa de canela em pó; meia colher de cafezinho de gergelim (com a casca preta); e água.

003Pronto. Tudo isso vira um delicioso e refrescante suco, que faz um bem danado a quem necessita de um cérebro desperto, esperto, concentrado e sempre pronto para responder às demandas do cotidiano. Gente como nós, os jornalistas, por exemplo. Ah, mas uma batida sem açúcar? Sim, porque ele está contido na cenoura. Claro, a receita não é criação minha. Ela me foi passada pelo médico/psiquiatra ortomolecular Juarez Nunes Callegaro, autor de Mente Criativa – a aventura do cérebro bem nutrido (Editora Vozes), livro que estará nas bancas da Feira do Livro de Porto Alegre a partir de 1 de novembro.

002Gosto muito de ouvir o “doutor Callegaro”. É sempre uma aula, que, inclusive, desafia a minha capacidade de concentração. Nossa conversa mais recente aconteceu faz algumas semanas e consumiu três horas. Mais uma vez, ele foi enfático sobre o círculo vicioso que as escolhas erradas à mesa produzem em nossa saúde e em nosso comportamento, porque, quando a comida prejudica a saúde do corpo ela também adoece as nossas emoções e, em consequência, a forma como nos relacionamos com o ambiente e as pessoas que nos cercam. É uma reação em cadeia.

Nessa cadeia acontecem coisas das quais um leigo no assunto nem desconfia. O carboidrato, por exemplo, facilita a adesão à maconha, em um processo químico igual ao do açúcar, que fermenta e se transforma em álcool nos intestinos. Por isso, vicia. Juarez Callegaro explica que os intestinos são o nosso segundo cérebro e que, quando  funcionam de forma inadequada, não conseguem ajudar – pior que isso, perturbam – a estrutura que conhecemos como primeiro cérebro, essa massa cinzenta alojada na caixa craneana, porque a toxicidade produzida pelos resíduos alimentares contamina o sangue que circula pelo organismo. Mal comparando, o efeito é o da gasolina suja no desempenho de um carro.

Então queridos colegas, cuidem da saúde de vocês começando pelo que colocam no prato de comida e no copo, porque nutrir o organismo é muito diferente de calar o ronco do estômago. E, por favor, façam mais um gesto de amor próprio: rejeitem o cafezinho servido em copinho plástico, porque no contato com o calor, o plástico – derivado do petróleo – vira dioxina que simula um hormônio humano – estrogênio – e faz estragos no organismo. Em mulheres grávidas, ameaça o desenvolvimento do feto. Nos homens, diminui a testosterona, o que significa aumento do risco de câncer na próstata e menos força aos músculos do coração.

foto-cafe-Fotos-Gratis---XA-cara-de-cafA--7901313O café é o combustível de grande parte dos jornalistas. Ele nos mantem acordados. Dá um ânimo! Não é? Ninguém resiste quando o cheiro dele – para mim o melhor perfume do mundo, melhor até que Chanel e Dior – se espalha pela sala. Lembro que tomei muitos cafezinhos em copinho plástico quando trabalhava no Jornal do Comércio. Preparei muitos, para desgosto de colegas que preferem os extrafortes. Mas de alguns me agredia o gosto, porque eram densos demais. Então dizia que “ainda vamos virar petróleo”, sem saber que atrás da brincadeira havia um fundo de verdade. Mas acabei descobrindo. E troquei o plástico pela xícara depois da primeira conversa com doutor Callegaro. Ele me explicou o significado da máxima de Hipócrates – “O alimento é teu medicamento” – que a corrida atrás do lucro maltrata com o consentimento de quem não cuida da própria saúde.

Já na porta da casa para as despedidas, agradeço pela conversa. Mas aproveito para fazer mais uma provocação. Digo que “gosto muito da geleia de laranja, com casca cortada em fios, que preparo com stevia”. Então, sempre com aquele seu jeito calmo, Callegaro diz que “as índias paraguaias usavam a stevia como anticoncepcional”. Em seguida acrescenta que a canela atenua o efeito do açúcar. Que bom! Eu sabia que o cheiro dessa especiaria estimula o cérebro. Agora sei também que, além usá-la para dar um toque especial aos sabores da minha infância, minha mãe – provavelmente sem saber – protegeu seus filhos contra os males causados pelo açúcar. Perfeito.

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