Pedra no sapato de Obama

Em 2009, Obama prometeu fechar Guantánamo em um ano
Em 2009, Obama prometeu fechar Guantánamo em um ano

De volta ao tema: a prisão de Guantánamo, em Cuba. Quando assumiu a presidência dos Estados Unidos em 2009, Barack Obama prometeu fechá-la no prazo de um ano. Agora, no segundo mandato, ele retoma o problema. Por dois motivos. Um deles é melhorar a própria imagem diante de seu povo e do mundo. Mas o que realmente pesa é o outro: cada um dos presos em Guantánamo custa, em média, a bagatela de um milhão de dólares/ano aos cofres norte-americanos. A soma chega a cerca de 200 milhões de dólares, segundo dados oferecidos pela Casa Branca.

Verdade seja dita: a situação de Guantánamo está tão encalhada como quando Obama chegou ao poder em 2009. Mas agora ele quer avançar e começou a semana em reunião com dois especialmente encarregados do fechamento da prisão e da transferência de presos – Clifford Sloan, do Departamento de Estado, e Paul Lewis, sua contraparte no Pentágono. Depois do encontro, a Casa Branca divulgou uma foto e um comunicado em que reitera o desejo do presidente de acabar de uma vez por todas com o polêmico centro de detenção.

Em reunião com Sloan e Lewis
Em reunião com Sloan e Lewis

Sloan foi nomeado para o cargo no final de junho deste ano, e Lewis começou a trabalhar no inverno passado em um posto especialmente criado para essa missão. Obama anunciou os dois durante discurso em maio, na Universidade de Defesa Nacional e justamente quando a greve de fome estava no apogeu na penitenciária da base militar dos Estados Unidos em Cuba, afetando 100 presos. O que se sabe é que mais de duas mil pessoas, entre militares e civis, se revezam em turnos para manter a prisão em funcionamento desde o começo de 2002. Lá estão os suspeitos de terrorismo capturados depois dos ataques do dia 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas do World Trade Center.

“As instalações de Guantánamo continuam consumindo nossos recursos e estragando nossa imagem no mundo”, disse a Casa Branca no comunicado emitido depois da reunião de Barack Obama com Sloan y Lewis. Segundo cifras do Pentágono, atualmente há 164 presos em Guantánamo; desses, apenas três foram condenados por crimes de guerra e seis estão à espera de julgamento – enfrentando a pena de morte -, por um tribunal militar.

Guantánamo suja a imagem dos EUA no mundo
Guantánamo suja a imagem dos EUA no mundo

Mais da metade da população presa (84 réus) tem a transferência já aprovada para seus países de origem ou para qualquer outro que queira acolhê-los. Mas os dias passam e eles vão ficando. No início do ano, decidiram entrar em greve de fome para chamar a atenção da opinião pública, declarando-se abandonados pela administração Obama. De acordo com um porta-voz da base militar, em novembro apenas 14 presos continuam em greve de fome e a maioria deles sofre alto risco de subnutrição. Para evitar que isso aconteça são alimentados à força através de uma sonda, que vai do nariz ao estômago.

Em Guantánamo há 48 detentos impedidos de sair porque são definidos como “perigo para a segurança nacional”. Por outro lado, não podem ser julgados em tribunais civis, pois não existem provas contra eles ou porque as provas foram obtidas por meio de tortura. Outros 16 presos são considerados de “alto valor” pelo Pentágono e deverão ser julgados em território dos Estados Unidos se a prisão realmente for fechada.

Eric Holder, fiscal geral dos EUA, afirmou na segunda-feira que tanto o suposto cérebro do 11 de Setembro  (Jalid Sheij Mohamed) como os outros quatro suspeitos presos em Guantánamo há anos já teriam sido condenados à morte se tivessem sido julgados por um tribunal civil. “Já estariam no corredor da morte”, disse Holder. Ele acrescentou que “um julgamento civil não teria fechado nem metade da cidade de Nova Iorque – esse era o temor do prefeito Michael Bloomberg diante da possibilidade de o julgamento ser realizado em Manhattan – nem teria custado 200 milhões de dólares ao ano”. Para o fiscal, “este é um bom exemplo do que acontece quando os políticos se dedicam a temas que deveriam ser decididos por advogados e experts em segurança nacional”.

Em 2009, no dia seguinte ao que assumiu o cargo de presidente, Barack Obama prometeu fechar Guantánamo. Mas a oposição no Congresso frustrou esse projeto e os detentos foram condenados ao esquecimento. Tanto foi assim que, no início de 2013, o encarregado da recolocação dos presos abandonou seu cargo e ninguém foi designado para substituí-lo. O centro de detenção em Cuba só voltou à mesa de Obama a partir da greve de fome. “Na medida do possível, a administração seguirá transferindo detentos que tenham autorização para serem transferidos a outros países e pedirá ao Congresso que levante as restrições existentes”, finaliza o comunicado da Casa Branca.

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