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De forma ou de outra, a música sempre fez parte da minha vida. Quando criança cantava a plenos pulmões e, quando não, auxiliava meu pai, copiando as partituras de arranjos que ele fazia (era organista e regente de coral). Depois aprendi a ler partitura em aula de teclado.
017Amo a Ospa, de tantas virtudes, e lamento muito que seja tratada como cigana: a construção da prometida sede própria está parada, segundo me confirmou hoje de manhã um músico da Sinfônica, depois do concerto no Auditório Araújo Vianna.
Foi belo o concerto, com participação do Quinteto Villa-Lobos e do Coral Sinfônico da Ospa, em excelente desempenho. Regência de Manfredo Schmiedt. Cada maestro tem sua forma de se comunicar com a orquestra. Gosto de como Schmiedt rege. A impressão que me passa é a de comando seguro sem arrogância.
O repertório de hoje foi eclético e encerrou com Brasileirinho, de Waldyr Azavedo. Mas todo ele me agradou, com algumas interpretações falando mais “alto”. Quero dizer, mexeram mais comigo. A de Carinhoso foi uma. O arranjo feito para essa obra de Pixinguinha vai do que parece uma tranquila declaração de amor a uma lamuriosa queixa, passando por momentos em que o amor vira um grito.
Mas nada se igualou ao seguinte: Va Pensiero, de Verdi na ópera Nabuco; e Wach Auf, de Wagner na ópera Mestres Cantores de Nürenberg. Va Pensiero sempre me comove. Hoje, a beleza da interpretação me levou às lágrimas. O coral da Ospa foi muito convincente. Wagner, que muitos consideram barulhento e odeiam por outros motivos, sempre me dá vontade de rezar, embora eu duvide de tudo. Talvez seja porque o compositor cria o caos na alma, porque questiona e inquieta. Mas depois consegue ordená-lo, transformando-o em música. É mestre. E do jeito dele também me emociona.
Então hoje chorei e rezei no Araújo Vianna. E voltei para casa cheia de energia e de gratidão. Obrigada Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.

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