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Foi a vitória do crime organizado. Eduardo Cunha, indiciado como réu no STF, foi o grande vencedor da votação que aprovou o impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados em Brasília, há pouco. Mas aqueles que veem nele um instrumento para tirá-la da presidência do País devem ficar em alerta: ao contrário do que pensam – usá-lo agora e jogá-lo fora depois – ele vai permanecer lá. No cargo. E quem vai garantir isso são os que hoje lhe deram a vitória. Portanto, com força que ele tem, não duvido que chegue à presidência da Nação.
Deu de tudo no circo armado por Cunha. Estranhíssima, por exemplo, foi a justificativa de um deputado paraense que, favorável ao impeachment, afirmou que seu voto era “para cassar o Brasil pelo Pará”. Então tá. Além disso, deu para medir a força da Igreja Católica nessa votação. Pelo jeito, nula: embora a CNBB tenha se manifestado oficialmente contra o impeachment, essa posição não ecoou entre seus fiéis na Câmara. Enquanto isso, chamou atenção o número de votos em que a justificativa incluía o respeito “evangélico” pela vida e pela dignidade. Todos a favor do impeachment em um processo viciado na origem porque conduzido por Cunha, um réu. Onde está dignidade alegada pelos evangélicos?
Este resultado que agora está sendo comemorado pela oposição é chocante por vários motivos. Um deles é que seus construtores buscaram, mas não provaram, o cometimento de crime por parte de Dilma Rousseff. Sem base para ser julgada, ainda assim ela foi julgada e condenada por um bando de deputados que, como se diz popularmente, tem o rabo preso e se apoia mutuamente. É como se o assassino usasse a tribuna para julgar e condenar sua vítima. O inocente vira réu.
O que será a partir de agora? O juiz Sérgio Moro já deu a senha: quer terminar a Lava Jato até dezembro. Para bom entendedor meia palavra basta: até lá haverá um jeito de varrer todas as sujeiras da oposição para debaixo do tapete. E seguiremos em frente neste País sobre o qual De Gaulle teria dito que não é sério, mas não disse. E se tivesse dito teria errado. O Brasil é, sim, um país sério. Um caso sério. De hipocrisia, em que a bandidagem nas ruas é fichinha se comparada com a bandidagem que flui no Congresso, sob comando de Cunha, que, pelo até agora, também conta com o olhar complacente do STF.

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