Traição na trincheira?

Estou de tevê ligada e ouço quando Michel Temer diz aos jornalistas, na Alemanha, que “não existe crise no Brasil”. Vai ver estamos todos dormindo e pesadelando com problemas que ele atribuía ao governo Dilma Rousseff, mas não existem mais porque a sapiência dele já os resolveu. Aliás, Temer está, como se diz, na crista da onda. Não por acaso. Fez por merecer: aproveitou bem seu tempo como vice-presidente para construir o golpe que o transformou em presidente. Só que, agora, movimento nos bastidores mostra que tem marinheiro da primeira hora enjoado e com vontade de desembarcar.

Textos que recebo e que leio no Facebook afirmam que o tempo de Michel Temer no cargo mais importante do país está agonizando, que esta sua ida à Alemanha para participar do G20 será sua última viagem como presidente e que Rodrigo Maia, hoje presidente da Câmara dos Deputados, se prepara para tomar o lugar dele. Aliás, já teria os nomes escolhidos para seu ministério. Como diria um italiano, se non è vero è bene trovato.

Acredito nisso? Acredito que essa turma que tirou Dilma Rousseff do poder cada vez mais se define como organização criminosa que, entre suas características, pratica a proteção mútua enquanto ela for conveniente a seus integrantes. Para piorar a situação, parece que os tentáculos dessa máfia abraçaram também o Judiciário. E, pelo jeito, esse abraço não é de cura, mas de morte. Qual outra explicação há para a decisão do ministro Marco Aurélio de Mello, que devolveu a honra ao senador Aécio Neves considerando de pouca importância o fato de ele ter sugerido o assassinato de um possível delator de suas artimanhas? Segundo Mello, Aécio tem “carreira elogiável”. E cá entre nós, não acho que pela cabeça do ministro tenha passado a ideia de um duplo sentido.

Então, no que acredito? Acredito que estamos num mar conturbado, dominado por um grupo de tubarões. E, pelo que andei lendo, os tubarões costumam sobreviver caçando outros peixes, menores. No entanto, também já li que, quando em situação de necessidade, esse animais ferozes buscam a carne na própria trincheira. Resumindo, só acredito que a agonia de Temer vai se transformar em morte se Rodrigo Maia, também acusado de corrupção pela Polícia Federal, não conseguir resistir à tentação de experimentar uma sentadinha – de meio ano, de um ano e meio. – na cadeira da Presidência. E quando isso acontecer poderemos respirar aliviados? Que nada. Absolutamente nada vai mudar para melhor, porque um e outro são farinhas do mesmo saco, diria meu pai. Será apenas mais um episódio de traição. Agora entre iguais.

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